sexta-feira, 10 de outubro de 2008

APRESSAR-SE DEVAGAR


Gostaria de começar este artigo com uma pergunta: Porque erramos, quando estamos convictos do acerto? Este questionamento surgiu em meio a uma aula de pós-graduação em gestão e planejamento estratégico. Mas, sei que ela já existia dentro de mim há muito tempo, pois, meus sofrimentos pelos fracassos foram muitos nos âmbitos: pessoal, familiar e coorporativa. Porém, constatei que na maioria dos casos tem haver com: inteligência e diligência ou planejamento estratégico e execução eficiente, para então, alcançarmos a eficácia. Leia +

Portanto, apressar-se devagar, penso que poderia ser o lema incorporado por todos aqueles que queiram alcançar seus objetivos, com sucesso. Pois, Apressar-se é agir com inteligência/planejamento e devagar é ser diligente/eficiente. A inteligência é a faculdade responsável pelo entendimento, pensamento - planejamento. Diligência é execução de qualquer tarefa com presteza, cuidado ativo, fazer com prontidão - eficiência. Natural que o homem planeje com julgamento e inteligência, porém, ele precisa
acreditar no que planejou para executar com desembaraço. Mas, para tanto, precisa estar atento ao plano e avaliá-lo com muito cuidado, caso contrario, pode ser vitima fatal do seu próprio erro, veja o que aconteceu com o corvo na fábula de Isopo: “O Corvo e a cobra”.

Ao sobrevoar uma floresta, um corvo faminto observou que uma cobra dormia sobre as pedras. A serpente parecia estar em sono profundo. Aproveitando-se da situação, o corvo decidiu atacá-la. Pousou, andou até as pedras sem fazer barulho nenhum e, ao dar a primeira bicada, a cobra acordou.
Como o pássaro estava certo de que seria uma presa fácil, nem tinha se dado ao trabalho de segurar a cobra com suas garras, e a serpente se enrolou em torno dele. Vendo que a morte estava próxima, o corvo pensou: “De que me adiantou encontrar um banquete se ele vai custar a minha vida?

O corvo pesquisa e encontra o seu alvo, julga e planeja, depois, parti para ação. Ótimo! Ele apressou-se. Contudo, foi surpreendido pela cobra, faltou-lhe então, o devagar, faltou-lhe, apressar-se devagar, se assim tivesse executado, teria obtido o resultado desejado - eficácia.

Então, porque erramos, quando estamos convictos do acerto? Agimos como o corvo! Avançamos com muita sede ao pote, levamos tempo em desenvolver nossos planos estratégicos para nos ajudar a alcançar o nosso alvo; elaboramos o prazo, o método e até o quanto pode nos custar. Porém, na maioria das vezes, falhamos na execução por não cremos naquilo que planejamos, pois a conquista não é oferecida àquele que conhece mais, mas àquele que crê mais. Por isso, precisamos apressar-se devagar.

Fiquemos atentos em não acumularmos tarefas, postergar decisões relevantes, resolver problemas urgentes, mas não importantes e, sobretudo, não se esquecer de avaliar. Para tudo isto precisamos de atitude: agirmos com prontidão, preparados para todos os tipos de surpresas e percalços, sabendo sempre que qualquer falha pode nos custar muito caro. Pense nisso! Amigo (a) leitor (ra)
Francisco Dias Filho
Instituto Ananduá

terça-feira, 16 de setembro de 2008

APARÊNCIAS

A humanidade está vivendo mais um período de transição em sua história, da modernidade para a pós-modernidade. Um tempo de caos, diria necessário, mas com sérias e graves conseqüências, pois os valores estão sob a sujeição do relativismo e da superficialidade.

Para ilustrar o nosso título, escolhi a frase popular que diz: "Por fora bela viola; por dentro pão bolorento...", pois as imagens falam, mas, não dizem nada para quem as vê. Quase tudo está sujeito à superficialidade. Se perguntarmos às pessoas o que elas acham, por exemplo, da tela “O Filho Pródigo” de Rembrandt; do “Soneto de Fidelidade” de Vinicius de Moraes ou até mesmo da obra “Pietá” de Michelangelo, a resposta imediata será – Muito bonito...! Faça você mesmo a experiência. Porém, se dissermos que é importante irmos além dos adjetivos, cairemos no relativismo, com a seguinte frase: “Ora, gosto não se discute”.

Talvez eu esteja querendo muito. E alguém poderia dizer: Ora, isto é questionamento para ser feito aos intelectuais ou então aos professores de arte. Entretanto, se fizermos esta mesma pergunta para uma criança, provavelmente, a resposta será mais do que um adjetivo e ela poderá nos surpreender, pois, ainda não adoeceu, como diz Rubem Alves: “Ser adulto é estar doente...”. Eu vou além, diria que ser um adulto contemporâneo, na maioria das vezes, é não estar vivo..!

Infelizmente, nos dias de hoje, só a aparência é o essencial. Olhemos o que está acontecendo com a maioria jovens nos vestibulares ou na escolha de uma profissão. Eles não estão preocupados com o que vão SER, estão, aparentemente, querendo usar roupas brancas, paletó e gravata, clegyrman ou batina, ou, na maioria das vezes, o seu rosto bonito e o corpo malhado, estampando alguma revista, jornal ou o Big Brother. HEDONISMO PURO, diria “bela viola...”

Identificarmos estes tipos de criaturas, não é difícil, pois eles estão “na moda”. Eles representam papéis e usam máscaras, nos bailes e teatros da vida real. São inimigos da convivência, do belo verdadeiro que envolve o ser interior, do afeto sincero e da subjetividade. Quando nos aproximamos de criaturas assim, percebemos uma total falta de conteúdo, valores e virtudes, diria “...pão bolorento.” E fica no ar... a clássica pergunta : para onde caminha a humanidade? Para mim, esta é uma nova geração, as dos desumanizados.
“Só se ama e se valoriza, aquilo que se conhece...” e, do que participa. Fico pensando nos jovens-protagonistas dos anos 60 e 70, que tinha atitude e entusiasmo, e, para eles a virtude da tolerância não era pretexto para a omissão. Nas lutas e guerrilhas, muitos deram sua própria vida, por ideais de liberdade, justiça e solidariedade. Muitas coisas que nós brasileiros contemporânea desfrutamos, hoje, foram conquistas destes jovens, que fizeram sua história. O que fazemos com o legado desta geração? E o que estamos fazendo, de nosso momento histórico? A mudança, só depende de nós... Pensemos nisto!

Francisco Dias Filho
Instituto Ananduá

domingo, 29 de junho de 2008

“SER e PARECER AMIGO”

Ser amigo tem haver com caráter, parecer amigo tem haver com estética, típico do oportunista. Mas, como identificá-los?

O que me despertou escrever sobre este tema foi o fato de como agem e se comportam os meus inimigos. Eu não ligo para seus comentários, nem para o que pensam, porque, eles nada dizem e nada refletem o que realmente sou. Para isto, faço uso do dito latino, “Similis cum Similibus”, semelhantes com seus semelhantes. O que eu posso fazer por eles é rezar esta bela oração indiana: “Que todos os seres que têm vida fiquem livres de dores!”.

Portanto, ser amigo, esta inter-relação própria do ser humano, que requer afeto sincero e verdadeiro, está cada vez mais raro. Quem encontrou um amigo encontrou um tesouro. Esta frase do livro de eclesiástico, em nenhum momento da história fez tanto sentido como agora, nestes tempos modernos. Ser amigo tem haver com compaixão e cuidado, empatia

Empatia é quando conseguimos nos colocar no lugar do outro, para sentir suas dores, suas angústias, para então, procurar em nós, a cura. Encontrada, servi - la ao seu próximo em uma bandeja de prata, aquilo que pode ser: palavra, silêncio, gesto, atitude positiva e encorajadora. Parecer amigo, não é para o ser humano, mas, para sê-lo é preciso ser.
Oportunista é o “parecer amigo”, pois, parece, mas não é! Este está interessado na estética, ele quer está em conformidade e à sombra de quem detêm o poder, por isso, são maquiavélicos: os fins justificam os meios, são cheios de falsas intenções, invejosos, ambiciosos. Desconfiam de tudo e de todos, por que não cofiam nem em si. Não conseguem “ser amigo”, por que vê no outro o seu reflexo, portanto: concorrente; fogem, caluniam, puxam o tapete, brigam, desrespeitam, e são capazes até de matar o seu semelhante, que na maioria das vezes é ele mesmo. São sujeitos sem ética, sem caráter, não sabem o que fazem, desconhecem as causas, os sentidos e os fins de suas ações, intenções e atitudes. Eles desvirtuam a essência dos valores morais.

Não podemos medir a qualidade cultural e literária de um livro somente pela capa. Olhe para o amigo, e faça esta pergunta: Ele é ou parece, seu amigo?

Francisco Dias Filho
Instituto Ananduá

COMUNICANDO COM ARTE